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10 mitos sobre amamentação que toda mãe já ouviu

Foto do escritor: Dra. Hingrid Donegá
Dra. Hingrid Donegá
25 de ago.
5 min de leitura
mitos sobre amamentação

"Seu leite é fraco."

"Esse bebê mama demais."

"Você precisa preparar o peito."

"Se ele não pega direito, deve ser língua presa."


Poucas fases da maternidade vêm acompanhadas de tantos palpites quanto a amamentação. Basta nascer um bebê para surgir uma pequena comissão de especialistas improvisados ao redor da mãe.

O problema é que, no meio de tantos conselhos bem-intencionados, alguns mitos atravessam gerações e podem aumentar a insegurança justamente em um período que já envolve muitas adaptações.

Por isso, reunimos 10 mitos comuns sobre amamentação para separar informação de crença e ajudar mães e famílias a viverem essa fase com mais tranquilidade.


MITO 1: "Existe leite materno fraco"

Esse talvez seja o campeão dos mitos. Não existe leite materno fraco.

A composição do leite materno muda ao longo da mamada, durante o dia e conforme o bebê cresce, adaptando-se às diferentes fases do desenvolvimento.

Inclusive, o primeiro leite produzido após o nascimento, chamado colostro, aparece em pequena quantidade, mas é especialmente rico em componentes imunológicos. A aparência mais clara ou mais "aguada" do leite em determinados momentos também não significa que ele tenha menos qualidade.


MITO 2: "Peito pequeno produz menos leite"


O tamanho das mamas não determina a capacidade de produzir leite. Mamas maiores possuem, principalmente, maior quantidade de tecido adiposo. A produção de leite está relacionada ao tecido glandular e, entre outros fatores, à frequência e eficiência da retirada do leite. Por isso, uma mulher com seios pequenos pode produzir leite perfeitamente para seu bebê.

Tamanho do sutiã não é medidor de fábrica.


MITO 3: "Amamentar precisa doer para funcionar"


Não. Pode existir sensibilidade e desconforto nos primeiros dias enquanto mãe e bebê estão se adaptando, mas dor intensa ou persistente não deve ser simplesmente normalizada. Fissuras recorrentes, sangramento, dor durante toda a mamada ou lesões importantes merecem avaliação.

Uma pega superficial, posicionamento inadequado e diferentes alterações funcionais podem estar envolvidos. Amamentar pode exigir aprendizado. Sofrer não precisa fazer parte do protocolo.


MITO 4: "Quanto mais tempo o bebê fica no peito, mais leite ele está tomando"


Nem sempre. Tempo de mamada não significa necessariamente eficiência.

Um bebê pode permanecer bastante tempo no peito e apresentar dificuldade para retirar leite adequadamente. Outro pode realizar uma mamada eficiente em um período menor. Mais importante do que vigiar o relógio é observar sucção, deglutição, transferência do leite, sinais de saciedade, eliminações e ganho de peso.


MITO 5: "Tem que lavar o peito antes de cada mamada"


Não é necessário realizar uma higienização especial da mama antes de cada mamada. O banho e a higiene habitual são suficientes na maioria das situações. O excesso de sabonetes, álcool ou outros produtos na região do mamilo pode, inclusive, favorecer ressecamento e irritação.

Seu peito não precisa passar por uma pequena esterilização hospitalar antes de o bebê chegar.


MITO 6: "Amamentar estraga os dentes do bebê"


Aqui precisamos colocar um asterisco importante. O aleitamento materno, por si só, não deve ser tratado como vilão da saúde bucal. A cárie é uma doença multifatorial. Conforme os dentes começam a nascer e a alimentação complementar é introduzida, fatores como consumo frequente de açúcares, higiene bucal inadequada, exposição ao flúor e rotina alimentar passam a ser muito importantes na avaliação do risco de cárie. A amamentação possui benefícios nutricionais, imunológicos e funcionais reconhecidos.

Quando surgem os primeiros dentinhos, começa também uma nova etapa: a higiene bucal precisa entrar na rotina.


MITO 7: "Mamadeira e peito exercitam a boca da mesma maneira"


Não exatamente. A dinâmica de sucção no peito é diferente daquela utilizada na mamadeira. Durante a amamentação, língua, mandíbula, lábios e musculatura orofacial trabalham de maneira coordenada para realizar a retirada do leite. Esse estímulo funcional acontece justamente durante uma fase intensa de crescimento e desenvolvimento craniofacial.

Além disso, sucção, deglutição e respiração precisam funcionar de maneira coordenada durante a mamada. Isso não significa culpabilizar famílias que precisam utilizar mamadeira ou outras formas de alimentação. Existem inúmeras situações em que elas são necessárias.

O importante é compreender que os mecanismos não são idênticos e que cada bebê deve ser acompanhado de acordo com suas necessidades.


MITO 8: "Se o bebê não pega o peito, certamente tem língua presa"


Não necessariamente. A anquiloglossia, conhecida como língua presa, pode interferir na amamentação quando existe uma restrição funcional dos movimentos da língua. Mas dificuldade para mamar pode ter muitas outras causas. Por isso, olhar para o frênulo e decidir apenas pela aparência que o bebê precisa de uma frenotomia ou frenectomia é uma simplificação.

Precisamos avaliar:

  • mobilidade da língua;

  • qualidade da pega;

  • sucção;

  • transferência do leite;

  • coordenação entre sucção, deglutição e respiração;

  • ganho de peso;

  • sintomas apresentados pela mãe;

  • mamada como um todo.


Nem todo frênulo diferente precisa ser tratado.

O diagnóstico deve considerar principalmente a função.


MITO 9: "Se a mãe voltou a trabalhar, precisa parar de amamentar"


Não necessariamente. Com planejamento e orientação adequada, muitas mães conseguem continuar oferecendo leite materno após o retorno ao trabalho. Ordenha, armazenamento adequado do leite e organização da rotina podem ajudar nessa transição.

A estratégia precisa ser individualizada de acordo com a realidade de cada família.


MITO 10: "Depois de 1 ano, o leite materno não tem mais benefício"


Outro mito bastante comum. O leite materno não perde repentinamente suas propriedades quando o bebê completa um ano. A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses e, depois da introdução da alimentação complementar, a continuidade da amamentação até dois anos ou mais, quando desejado e possível para mãe e criança. O leite continua fornecendo nutrientes e componentes imunológicos durante esse período.

Não existe um botão que desliga os benefícios no aniversário de um ano.


E afinal, o que a amamentação tem a ver com a Odontologia?


Muito mais do que parece. Durante a amamentação, o bebê realiza movimentos coordenados da língua, mandíbula, lábios e músculos da face.

Esses estímulos funcionais participam de uma fase importante do desenvolvimento das estruturas craniofaciais e das funções orais.

É por isso que, dentro da odontopediatria, podemos observar aspectos como:

  • desenvolvimento orofacial;

  • mobilidade da língua;

  • frênulo lingual;

  • funções de sucção e deglutição;

  • desenvolvimento da dentição;

  • hábitos orais;

  • higiene a partir do nascimento dos primeiros dentes.


Odontologia infantil não começa quando aparece uma cárie. Ela pode começar muito antes, acompanhando o desenvolvimento da criança.


Menos culpa, mais informação


Talvez esse seja o mito mais importante que precisamos desconstruir: não existe uma única experiência de amamentação. Algumas mães amamentam com facilidade. Outras enfrentam dor, baixa produção, dificuldades de pega, condições clínicas, necessidade de complementar a alimentação ou simplesmente vivem circunstâncias diferentes daquelas que imaginaram durante a gestação.

Informação sobre os benefícios do aleitamento materno não deve ser transformada em ferramenta de culpa. O objetivo dos profissionais de saúde deve ser orientar, identificar dificuldades e oferecer suporte para que mãe e bebê sejam cuidados. Porque maternidade já vem com opiniões suficientes. O que uma mãe precisa encontrar no consultório é acolhimento, ciência e respeito às suas escolhas e possibilidades.


Seu bebê apresenta dificuldade durante a amamentação?


Quando existem dificuldades persistentes de pega, estalos durante a mamada, perda frequente do selamento, mamadas muito cansativas ou suspeita de alteração do frênulo lingual, uma avaliação da função oral pode ser indicada.

Na Donegá Odontologia, realizamos uma avaliação individualizada da função oral e do frênulo lingual do bebê, considerando não apenas a anatomia, mas principalmente como aquela língua está funcionando durante a alimentação.

Quando necessário, o acompanhamento pode ser realizado em conjunto com os demais profissionais envolvidos na amamentação.

Nosso objetivo não é procurar um procedimento.

É compreender a dificuldade e encontrar a melhor conduta para cada bebê e cada família.

 
 
 

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